sábado, 8 de dezembro de 2007

Saiba o que foi cortar.
Talvez houvesse sim, mais esperança, antes do tempo ir ceifando. Mas olho quase bondosa essa festa. E há nessa quina em que me encontro a mais decantada das seduções.

Ponho-me interessada a ouvir-te. Mas ouço apenas aquilo que não quer dizer. Lá fora, depois do silêncio que entre-corta entra-e-corta as pequenas futilidades que te sustentam, tudo é abominável.
Me refugio fora da voz. Nem antes, nem depois do tempo. Mas em sua viagem.


algumas vezes quero matar. e Mato. Porque nem sempre esquecer abastece. Os sedentos de inacessível, eu e você, não ela, têm no sorriso desdenhoso esse anseio da morte, de incêndio, de saque, de arrancar e estilhaçar essas impressões fugidias, nascidas do olhar e do gesto calculado, as quais os camponeses chamam como amor.
Os caçadores de poesia São trágicos e épicos. Se apossam das fendas e bordas como Destino.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Estávamos quase esquecidos. Amontoados e escondidos entre pilhas de papéis e um resto de umidade. Puro mofo.

Estávamos, porém, quase esquecidos, porque de uma história sempre nasce um gêmeo, uma parte, um excesso que se intitula, num átimo de não sei o quê, a história, o original. Puro esquecimento, quase.

A história começou de uma outra que, por sua vez, não começou de nenhuma das duas anteriores, embora com elas formasse história. A minha lembrança.

Não posso dizer que há uma mensagem por aí. Nas garrafas não encontro as suas boas novas. Simplesmente me divertem. Um sorriso, assim.

As histórias são planas, infinitamente azuis: linhas de um segredo por vir, a quase lembrar que o esquecimento pode ser tão belo quanto as quase lembranças.

Decifre-me devagar, não mais tenho pressa.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

longe. terra desabitada, árida, inacessível ao vento úmido que a rodea, mas não penetra.

disposto a arrastá-lo pelo viagem.
Segui.
parecia tão ausente, mas partia.

com ele, rastro de recordações e vibrações. o texto afundava,
e eu ainda olhava em volta.

porque não posso falar. agora estou só. te grito, mas não para que vc me escute. o que vivia , o que viviencio?

a experiência era desmanchar o instranponível do limiar.












dis

domingo, 18 de novembro de 2007

Ação.amputação. a cidade, um bar. uma bar, minha cidade.

um pub que se chama liverpool em bhte.
Existe poesia nisso?

por que meus amigos tem tanto medo das margens?

O DVD da Amy Winehouse vem com um copo e um cinzeiro. Na minha opinião, deveria acompanhar também um espelhinho, com uma giletinha personalizada.


Plaf,, pla.
bláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábláblábl´.
ffe
a.

confissão 1:

ontem fui encontrar com idiotas conhecidos e cheios de verdades. aquele tipinho "vou te dar um conselho"
cafona...
incomodo e não me importo.
( é preciso um parÊntese. por que fui? para renovar os contratos com minhas escolhas)

mas acabei com desconhecidos perdidos, alucinados, e com um mundo de irrealidades nas mãos.

confissão 2:
Tenho me tornado especialista em desapego.
esquecer não por obrigação, mas por impulso de vida.

confissão 3:

não tenho carapaça simbólica ou sou apenas carapaça simbólica?



Tenho estado cada vez mais bem resolvida com minha Deriva.


Pull me out of the aircrash
pull me out of the wreck
cause I'm your superhero
we are standing on the edge

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Alfredo levantou-se da cama e olhou o espelho. Viu por detrás de sua imagem um borrão, desenho mal-feito e feio, que lhe dizia:
- vá! exista, escreva, namore, dança, viva!
Alfredo deu de ombros. Afinal, vivia porque vivo, e não porque alguém lhe ordenasse. Nada lhe causava aquele borrão senão uma naúsea profunda. Não queria entender que há pessoas que usam da louca indefinição entre real e vivido, não para potencializar a vida, mas para disseminar morte, violência, intromissão. Não podia sequer entender como aquele borrão insistia em achar legítimo estar em seu espelho, habitar seu campo visual, falar de amor.


que tinha ele com o quereres alheio? Nunca fora pessoa boa, dessas que entende que há miséria no mundo.
Para ele, o mundo sempre fora um moinho.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Um dia nublado como um oásis entremeio a luz tenebrosa que esclarece e escalda. O corpo se sente bem e se fende, trinca, deixa escapar, o que guardei de mais belo e terrível, só pra você. Es-corre e vai direto ao fundo do finito,
espreita.
Agora. Já não posso dizer que te feri. Refugiado a distância. Sozinho e muito mal acompanhado. O que quero o que quero o que erro.
Talvez chova agora.
Quem vai pagar por tudo isso? a quem agradecerei ao final da corrida, da noite eterna, da cerveja quente e do corpo molhado, na sargeta, disperso e adormecido, o táxi, as horas, o cinema, o japonês, a espera, o cigarro, a espera, a espera?A solidão em teclas, copos, bares, carreiras, cartões, brindes.
A frustração deixou um traço de destino em minha mão.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

E todo o amor que foi feito para nós se perde
Em chama

Na fogueira das vaidades, alimentada pelo nosso ego, incendiada pela nossa sutileza
Em dizer
Coisas
Des
Dizendo

No dilúvio de um soluço, ouço você reclamar do vinho

Você aceita mais uma taça, amor?

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

astro agonizante
precisou abandonar e seguir. deixar alguma coisa pra trás. doeu como o ranger de uma porta velha aos ouvidos. algo curioso isso de todos serem substituíveis. ás vezes, e não raras,quase sempre( não sei porque pensei às vezes... ) as substituições ocorrem com dividendos.
no fim, com bom humor, se sai sempre no lucro.
fundamentalmente uma questão de estilo.

entretanto,esse sabor amargo em deixar.
pressentimento sóbrio, de que se por um lado tudo se substituem, por outro... tudo é insuperável.

já não sabia mais o que havia deixado: um violão velho talvez, um casaco com aquele telefone no bolso para o qual jamais discou... um livro? terrível se fosse um livro. há livros que nos depõe e nos escoam.
já não sabia mais o que ficou para trás. seria um sintoma irreversível do apagamento do traço?
se o corpo já não se desdobrava mais ao olhar que o aguarda, impaciente... e se memória não havia, do que era composto essa ausência?
o que faltava? o que ficou?
deveria voltar e procurar? por onde começaria? no primeiro sorriso, no passo em falso, no último fulgor?
esse mundo já não existia. ou melhor, já não era uma casa na qual podia entrar e pegar o que bem entende. o que perdera, seja lá o que for, já não lhe pertencia.


. .......................................................... o fio que o ligava era agora rasura, basura, abismo.


o rastro em meu olho pede que eu encontre. mas as figuras se furtam. desaparece então, lentamente, para que às portas fechadas a lembrança se forme: doce, serena, morta. Caminha sem pressa, não podes deixar.
mas afinal, absurdamente real... parte.
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