domingo, 30 de março de 2008

NÃO ADIANTA SE ENGANAR. HÁ UMA DECADÊNCIA ABSURDA EM MINHA VOLTA E TALVEZ A ÚNICA COISA QUE AINDA ASPIRA GRANDIOSIDADE SEJA ESSA VONTADE DE VER, EM CADA OLHAR, ALGO MAIS QUE A SIMPLES CONTENTAÇÃO.

bebo sozinha agora. não quero gritar.

toda essa mediocridade se mistura a mim, e já não posso fugir. sou ela também. estou contido, faço parte e compactuo e consagro com todo este lixo que está a minha volta. e o único luxo a que me dou é saber.
Saber que é por medo do tédio. saber que inevitavelmente terei tédio desse medo, como tenho agora. saber que sempre soube, mas quis vislumbrar outras bordas. saber que saber não adianta:
NADA.

Já não ter esperanças não é mais a luxúria, feliz de álvaro que ainda assim é. HOUVE UM TEMPO QUE FOI ASSIM.
agora, em virtude de um acontecimento que para sempre explicarei,
a falta de esperanças é a única posse. não há mais nada a fazer se não fumar, e sozinho. porque a música é alta e todas as vozes em torno são medianas, vulgares.
entoá-se então a última estrofe. desdobrarei-me e
e despojarei-me, não sem dor,
daquilo que outrora, muito me acrescentou.

a estrada é outra, aceno a todos. e será longa a despedida porque sei que ainda não tenho forças para o abandono, a não ser que o faça em sobressalto, em brado de guerra. mas não gostaria. ouço uma canção triste, aconchego-me no abraço estrangeiro. quaase exílio.

terça-feira, 25 de março de 2008

CAI
COMO
UMA LUVA.



a luz pela claridade.
o buraco pelo viés.
tudo muito imitado. limitado.tudo muito repetido. muito fudido. muito você, muito eu. essa coisa toda que chama estilo, mas que somos jovens demais para possuir.

autocomiseração ou heroicidade, meus amigos?

ainda é diferente?
não estranhar concederem a ti tanto?a acusação irada contra a mediocridade se instalara dentro de nós.

meu legado, sua herança. teu arquivo, minha fonte. nossos documentos.
aqueles que revelam o desejo de ainda encontrar no outro sem fundo
,
um diamante. e
não todo esse lixo que
produzimos e como loucos
tentamos dissipar.
tudo é muito velho.
já aconteceu faz tanto.
de posse de tal verdade há ainda alguma coisa relevante?

podemos brincar no jardim de infÂncia eterno mas,
que ninguém nos ouça.



sábado, 15 de março de 2008

era uma vez uma vaca sem pasto.
vaca ainda?


era tudo ainda uma conversa de bar. eu entrei há alguns anos. muitos sairam, foram para outros bares ou não voltam mais.

mas eu me tornei especialista
já conhecia o jogo, podia estar em todas as posições, tinha bons comparsas, pouco dinheiro, um apreço sem explicação pelo fútil e torpe.


ela chegou dizendo que vinha de muito longe. estrábica. de tanto se perder havia feito de si um labirinto. e não podia voltar.

outro tinha no olhar uma prótese de tristeza; um sorriso encantador, e uma desilusão que lhe servia de base.

a vaca veio e pôs-se ali.
depois vieram os outros. um lustre, o jarro, a pedra.

no fim da noite, lança os dados, o último motivo que se saca do bolso
para não voltar mais
não ter mais.

no canto, a caixa tocava qualquer coisa,
DARKNESS ‘TIL DAWN
Chain smoking cigarettes
Enemies across the table


não era nada disso.