sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Alfredo levantou-se da cama e olhou o espelho. Viu por detrás de sua imagem um borrão, desenho mal-feito e feio, que lhe dizia:
- vá! exista, escreva, namore, dança, viva!
Alfredo deu de ombros. Afinal, vivia porque vivo, e não porque alguém lhe ordenasse. Nada lhe causava aquele borrão senão uma naúsea profunda. Não queria entender que há pessoas que usam da louca indefinição entre real e vivido, não para potencializar a vida, mas para disseminar morte, violência, intromissão. Não podia sequer entender como aquele borrão insistia em achar legítimo estar em seu espelho, habitar seu campo visual, falar de amor.


que tinha ele com o quereres alheio? Nunca fora pessoa boa, dessas que entende que há miséria no mundo.
Para ele, o mundo sempre fora um moinho.

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