sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

eu sabia que queria ler nas cores do teu rosto um outro retrato meu.

haviam antes de tudo dias difíceis.
e te sussuro, inutilmente.


pois ainda que fosse um grito
há barulho demais em torno. muitas desgraças e vazios multiplicados, onde vozes mendigam atenção a sua dor.

na cena: cada um quer ser mais vítima do que o outro. em todas as vias se vêem sem saída.

E EU TÃO CANSADA.

gostaria de dizer eu sem constrangimento,encarar de frente um rosto e saber de mim como algo que pudesse ser suporte senão de uma consciência, ao menos de uma dor que não fosse fingida, mas
prefiro deitar à sarjeta. queria olhar no espelho e ver as asas e não ter que viver com o fato de que essa falta me faz voar.





passam algumas horas e chego, bêbada, a passar os olhos nas linhas que me dizem

Todo o nosso saber se reduz a isto: renunciar à nossa existência para podermos existir.

consolada pelo rabisco na tela de uma página qualquer,
volto a tv, pra ver se ainda passa Seinfield.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Não rolou.

ou talvez até demais. Ao mesmo tempo.
tudo foi tanto, e nada.

e estar vivo me constrange, apesar de ser evento único:

vivo. não há mais nada a dizer.

A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem pois segure o desassombro da condição animal como fonte de imunidade;
para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs

ou o pior; e se um dia eu quiser ser salva?