bebo sozinha agora. não quero gritar.
toda essa mediocridade se mistura a mim, e já não posso fugir. sou ela também. estou contido, faço parte e compactuo e consagro com todo este lixo que está a minha volta. e o único luxo a que me dou é saber.
Saber que é por medo do tédio. saber que inevitavelmente terei tédio desse medo, como tenho agora. saber que sempre soube, mas quis vislumbrar outras bordas. saber que saber não adianta:
NADA.
Já não ter esperanças não é mais a luxúria, feliz de álvaro que ainda assim é. HOUVE UM TEMPO QUE FOI ASSIM.
agora, em virtude de um acontecimento que para sempre explicarei,
a falta de esperanças é a única posse. não há mais nada a fazer se não fumar, e sozinho. porque a música é alta e todas as vozes em torno são medianas, vulgares.
entoá-se então a última estrofe. desdobrarei-me e
e despojarei-me, não sem dor,
daquilo que outrora, muito me acrescentou.
a estrada é outra, aceno a todos. e será longa a despedida porque sei que ainda não tenho forças para o abandono, a não ser que o faça em sobressalto, em brado de guerra. mas não gostaria. ouço uma canção triste, aconchego-me no abraço estrangeiro. quaase exílio.
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