quarta-feira, 11 de junho de 2008

E daí, que se desdobre alguma coisa a partir disso. Alguma coisa, urgentemente. Acuso-me. A mediocridade está misturada com o éter. Coisa que sublima facilmente. Eteriza-se, sem no entanto provocar algo mais senão uma leve tonteira. Profundo mal estar este.

A facilidade está de mãos dadas com o ridículo e o egoísmo é a sua principal virtude. Por honra ao mérito eu saqueio o próximo banco, em busca da conta, corrente, a me ater. Vou à feira e procuro por vivas, uvas e maças, atrás de provas do paraíso incandescente. Não encontro nada. E não há nada para se colher ali além do óbvio:

luzes e dos frutos sombras e dos castanhos gostos.

E daí que exista um desassossego qualquer por aqui? Frívolo e fútil desassossego, de baixa profundidade, escondido numa máscara proveitosa de desenhar sorrisos. E afinal, rio de quê? NÃO DIGO NÃO. Não me valho da soberba e da ingrata tentativa de fazer ponto final em frase que nem sequer ameaçou rabiscar-se.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

e desse mim-dá-mim-dá, o que que dá?

já deu pão, vinho, circo, gás
deu sorte, azar, risco, azo
para outras lições


relações que de tão precárias podem ser mesmo belas
vestir-me, despir-me, despedir-me au revoir!
dá nisso, de pensar em nada não, a não ser no que não se quer.

domingo, 30 de março de 2008

NÃO ADIANTA SE ENGANAR. HÁ UMA DECADÊNCIA ABSURDA EM MINHA VOLTA E TALVEZ A ÚNICA COISA QUE AINDA ASPIRA GRANDIOSIDADE SEJA ESSA VONTADE DE VER, EM CADA OLHAR, ALGO MAIS QUE A SIMPLES CONTENTAÇÃO.

bebo sozinha agora. não quero gritar.

toda essa mediocridade se mistura a mim, e já não posso fugir. sou ela também. estou contido, faço parte e compactuo e consagro com todo este lixo que está a minha volta. e o único luxo a que me dou é saber.
Saber que é por medo do tédio. saber que inevitavelmente terei tédio desse medo, como tenho agora. saber que sempre soube, mas quis vislumbrar outras bordas. saber que saber não adianta:
NADA.

Já não ter esperanças não é mais a luxúria, feliz de álvaro que ainda assim é. HOUVE UM TEMPO QUE FOI ASSIM.
agora, em virtude de um acontecimento que para sempre explicarei,
a falta de esperanças é a única posse. não há mais nada a fazer se não fumar, e sozinho. porque a música é alta e todas as vozes em torno são medianas, vulgares.
entoá-se então a última estrofe. desdobrarei-me e
e despojarei-me, não sem dor,
daquilo que outrora, muito me acrescentou.

a estrada é outra, aceno a todos. e será longa a despedida porque sei que ainda não tenho forças para o abandono, a não ser que o faça em sobressalto, em brado de guerra. mas não gostaria. ouço uma canção triste, aconchego-me no abraço estrangeiro. quaase exílio.

terça-feira, 25 de março de 2008

CAI
COMO
UMA LUVA.



a luz pela claridade.
o buraco pelo viés.
tudo muito imitado. limitado.tudo muito repetido. muito fudido. muito você, muito eu. essa coisa toda que chama estilo, mas que somos jovens demais para possuir.

autocomiseração ou heroicidade, meus amigos?

ainda é diferente?
não estranhar concederem a ti tanto?a acusação irada contra a mediocridade se instalara dentro de nós.

meu legado, sua herança. teu arquivo, minha fonte. nossos documentos.
aqueles que revelam o desejo de ainda encontrar no outro sem fundo
,
um diamante. e
não todo esse lixo que
produzimos e como loucos
tentamos dissipar.
tudo é muito velho.
já aconteceu faz tanto.
de posse de tal verdade há ainda alguma coisa relevante?

podemos brincar no jardim de infÂncia eterno mas,
que ninguém nos ouça.



sábado, 15 de março de 2008

era uma vez uma vaca sem pasto.
vaca ainda?


era tudo ainda uma conversa de bar. eu entrei há alguns anos. muitos sairam, foram para outros bares ou não voltam mais.

mas eu me tornei especialista
já conhecia o jogo, podia estar em todas as posições, tinha bons comparsas, pouco dinheiro, um apreço sem explicação pelo fútil e torpe.


ela chegou dizendo que vinha de muito longe. estrábica. de tanto se perder havia feito de si um labirinto. e não podia voltar.

outro tinha no olhar uma prótese de tristeza; um sorriso encantador, e uma desilusão que lhe servia de base.

a vaca veio e pôs-se ali.
depois vieram os outros. um lustre, o jarro, a pedra.

no fim da noite, lança os dados, o último motivo que se saca do bolso
para não voltar mais
não ter mais.

no canto, a caixa tocava qualquer coisa,
DARKNESS ‘TIL DAWN
Chain smoking cigarettes
Enemies across the table


não era nada disso.


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

eu sabia que queria ler nas cores do teu rosto um outro retrato meu.

haviam antes de tudo dias difíceis.
e te sussuro, inutilmente.


pois ainda que fosse um grito
há barulho demais em torno. muitas desgraças e vazios multiplicados, onde vozes mendigam atenção a sua dor.

na cena: cada um quer ser mais vítima do que o outro. em todas as vias se vêem sem saída.

E EU TÃO CANSADA.

gostaria de dizer eu sem constrangimento,encarar de frente um rosto e saber de mim como algo que pudesse ser suporte senão de uma consciência, ao menos de uma dor que não fosse fingida, mas
prefiro deitar à sarjeta. queria olhar no espelho e ver as asas e não ter que viver com o fato de que essa falta me faz voar.





passam algumas horas e chego, bêbada, a passar os olhos nas linhas que me dizem

Todo o nosso saber se reduz a isto: renunciar à nossa existência para podermos existir.

consolada pelo rabisco na tela de uma página qualquer,
volto a tv, pra ver se ainda passa Seinfield.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Não rolou.

ou talvez até demais. Ao mesmo tempo.
tudo foi tanto, e nada.

e estar vivo me constrange, apesar de ser evento único:

vivo. não há mais nada a dizer.

A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger, a dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem pois segure o desassombro da condição animal como fonte de imunidade;
para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs

ou o pior; e se um dia eu quiser ser salva?